terça-feira, 26 de abril de 2016

IPTU / BH

Em BH, casas que têm quintal verde não precisam pagar IPTU

Em BH, casas que têm quintal verde não precisam pagar IPTU
Cada vez mais caro, o IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) pesa no orçamento de todos os brasileiros – ou quase todos. É que em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, quem possui casas com grandes quintais verdes não precisa pagar o tributo à prefeitura.
Trata-se de uma espécie de “agradecimento” que o governo municipal oferece aos cidadãos que são donos dessas moradias ecológicas por contribuírem para o microclima da cidade, melhorando a qualidade do ar, diminuindo as ilhas de calor e contribuindo para a absorção da água da chuva, entre outros tantos benefícios trazidos pelas árvores.
A lei foi sancionada há mais de 20 anos, mas poucos moradores sabem de sua existência. Segundo a prefeitura, menos de 10 donos de chácaras e sítios, que possuem extensa área verde preservada em seus quintais, fazem uso do benefício.
Para popularizar a medida – e, assim, incentivar a conservação do verde no município de Belo Horizonte, que já chegou até a ser chamado de ‘cidade jardim’ e, hoje em dia, está ‘cinza’  -, a prefeitura vai passar a divulgar a lei na guia do IPTU. Mais do que isso: baterá na porta de potenciais candidatos para a isenção do tributo para explicar o benefício.
Segundo o governo, não é qualquer quintal verde que se enquadra na lei. É preciso que ele seja caracterizado como ‘Reserva Particular Ecológica’ pela legislação municipal. O que, entre outras exigências, significa que o imóvel precisa ter “condições naturais primitivas ou semiprimitivas recuperadas”.
Ainda assim, é uma boa lei para ser replicada em outros municípios, não? Quem aí poderia ganhar isenção no IPTU?
Foto: Phil Gradwell/Creative Commons
http://www.thegreenestpost.com/em-bh-casas-que-tem-quintal-verde-nao-precisam-pagar-iptu/

segunda-feira, 25 de abril de 2016

REAPROVEITAMENTO DE ALIMENTOS

Chefs renomados oferecem refeições gratuitas feitas de comidas descartadas

Kaveh Zahedi, Diretor Regional do PNUMA para a Ásia e Pacífico, compartilha refeição com jovens tailandeses.

Banguecoque, 3 de dezembro de 2015 – Chefs de cozinha renomados da Tailândia e da Austrália usaram ingredientes que geralmente são descartados e prepararam refeições para mais de 2 mil pessoas hoje na capital tailandesa para promover conscientização acerca do desperdício de alimentos.
O evento “Pense.Coma.Economize” foi organizado pelo PNUMA e pela OzHarvest em apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) com o objetivo de extinguir o desperdício de alimentos ao longo da cadeia de produção e suprimento até o ano de 2030.
Moldada pelos atuais eventos anuais da OzHarvest, que alimenta milhares de pessoas na Austrália, a edição de Banguecoque teve chefs de sucesso elaborando um cardápio de almoço que utiliza os excessos produzidos recuperados de aterros sanitários, fazendas e fornecedores locais. Entre as estrelas culinárias participantes estiveram: Duangporn ‘Bo’ Songvisava, Dylan ‘Lan’ Jones, Chris Miller e o australiano Travis Harvey, que em maio deste ano abriu a primeira ‘cafeteria de desperdício de alimentos’
O evento foi parte de uma campanha lançada pelo PNUMA, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), e parceiros em 2013 para transformar os padrões de produção e consumo de comida, que resultam em 1.3 bilhões de toneladas de comida desperdiçadas globalmente todo ano, contribuindo com mais de 3 gigatoneladas de emissões de gases de efeito estufa.
“O PNUMA está combatendo fortemente o desperdício de comida através de sua metodologia para a prevenção de desperdício nas cidades, nos países e nas empresas. Estamos orgulhosos por estarmos trabalhando com a OzHarvest para sublinharmos a importância da redução da perda de alimentos na luta contra a fome os impactos da mudança climática”, disser Kaveh Zahedi, Diretor Regional e Representando do PNUMA para a Ásia e o Pacífico.
Estima-se que um montante de 20 a 40% de comida seja desperdiçado ao longo da cadeia de suprimentos na região. Alimentos são perdidos durante o transporte entre as áreas de produção rural e os consumidores urbanos por causa da baixa qualidade das rodovias, das condições climáticas de calor e umidade e das fracas embalagens.
“Na Bo Lan, nossa filosofia é de alcançarmos o desperdício zero e também zerarmos a pegada de carbono. São movimentos internacionais como este que levarão o grande público a pensar mais sobnre suas escolhas de alimentos, e como resultado mudarão seus comportamentos de uma maneira mais positiva. Espero que as pessoas da Tailândia  venham experimentar como o desperdício de comida pode ser transformado com um toque de criatividade e imaginação”, disse o Chef Dylan Jones, do restaurante Bo Lan.
O CEO da OzHarvest, Ronni Kahn, alertou que se os governos, os negócios e os indivíduos não agirem agora, nossa cadeia de alimentos estará em perigo. “Sabemos que em 2050, a população global excederá 9 bilhões de pessoas. Para as futuras gerações, precisaremos fazer escolhas positivas e conscientes para fornecermos segurança alimentar para todos”, disse Kahn.
“Mais do que isso, precisamos compartilhar conhecimento para que, juntos, países possam se unir e encontrar uma solução para o assunto e combatê-lo não como nações indivíduais, mas como uma comunidade global. Cada um de nós pode fazer a diferença através da redução do nosso desperdício em casa e no trabalho, e através de escolhas sustentáveis para o futuro do mundo que escolheremos viver.”

Para mais informações, entre em contato:
Satwant Kaur, Oficial Regional de Informação do PNUMA para a Ásia e Pacífico, Telefone: +668 1700 1376 E-mail:satwant.kaur@unep.org
Mei Ling Park, Consultor de Comunicação do PNUMA para a Ásia e Pacífico, Telefone: +66 2288-1275 E-mail:park21@un.org
Louise Tran, Gerente de Comunicação e Marketing da OzHarvest, Telefone: +61 466 620 744, E-mail:louise.tran@ozharvest.org,  Skype: louise.tl
http://web.unep.org/chefs-renomados-oferecem-refei%C3%A7%C3%B5es-gratuitas-feitas-de-comidas-descartadas

sábado, 23 de abril de 2016

FRUTAS / HORTALIÇAS /ERVAS

App traz informações sobre 28 frutas, hortaliças e ervas que podem ser cultivadas em casa

Uma startup de Portugal aproveitou a tecnologia para facilitar a vida de quem pretende desenvolver uma horta em casa. O aplicativo Plantit – Horta em Casa dá informações e dicas práticas sobre o cultivo biológico de rúcula, coentro, salsa e morango, entre 28 variedades de hortaliças, frutas e ervas aromáticas.
Ao clicar na planta escolhida, o usuário vai aprender a cultivá-la com informações sobre a exposição solar, o tipo de solo e a estação do ano adequados, além de saber em que pratos adicioná-las.
Há ainda orientações sobre como preparar biofertilizantes, que não têm produtos químicos, assim como métodos simples para controlar as pragas.
O aplicativo, que é gratuito, foi lançado recentemente com versões para IOS e Android.
Agora a empresa trabalha na ampliação das informações, com a inclusão de novas variedades, e no desenvolvimento de funcionalidades que promovam maior interatividade com o usuário.
Criada há seis anos por uma estudante de Engenharia Biológica da Universidade do Minho, a Plantit tem direcionado e especializado os seus serviços para a instalação e manutenção de hortas sob medida, em diversos ambientes como familiar, escolar, institucional e empresarial.
Link para Apple Store: IOS
Link para Play Store: Android
Se você quer fazer um horta em casa, dê uma olhada nas nossas dicas aqui.
Fonte: EcoD

http://www.ecycle.com.br/component/content/article/35-atitude/4250-aplicativo-gratuito-da-dicas-sobre-o-cultivo-de-hortas-em-casa.html?lb=no

quarta-feira, 20 de abril de 2016

SIMPÓSIO / LEGUMINOSAS


O Ano Internacional das Leguminosas nos oferece uma oportunidade única para aumentar a conscientização sobre a contribuição das leguminosas, tendo em vista as vantagens significativas relativas à nutrição, graças ao seu elevado teor de proteínas e aminoácidos essenciais, além de constituírem fonte de carboidratos, vitaminas e minerais.





https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1044860395587150&set=a.747637888642737.1073741835.100001895991348&type=3&theater

domingo, 17 de abril de 2016

RANKING DO SANEAMENTO BÁSICO

As 5 melhores (e piores) cidades do Brasil em saneamento básico

As 5 melhores (e piores) cidades do Brasil em saneamento básico
Ranking do Saneamento nas 100 Maiores Cidades traduz em números a lentidão dos avanços no setor e o baixo grau de investimento. Este panorama deixa ainda mais distante a meta da universalização dos serviços, prevista para 2033 no Plano Nacional de Saneamento Básico: “Temos observado que o tratamento e a coleta de esgoto têm avançado, mas a um ritmo muito lento. Pelos nossos cálculos, essa meta será alcançada depois do ano de 2050, se mantermos o ritmo atual de investimentos”, explicou Pedro Scazufca, sócio do GO Associados, consultoria que participou do estudo.
Entre as 100 maiores cidades, as 5 piores colocadas estão concentradas na região Norte: Santarém (PA), Manaus (AM), Macapá (AP), Porto Velho (RO) e Ananindeua (PA). “Nesses municípios, de maneira geral, todos os indicadores infelizmente são ruins, tanto na coleta e tratamento de esgotos, quanto nas perdas de água”, destaca Scazufca.
Já a cidade melhor posicionada no ranking é Franca (SP), seguida por Londrina (PR), Uberlândia (MG), Maringá (PR) e Santos (SP).
Foto: Vereadora Mida/Creative Commons
http://www.thegreenestpost.com/ranking-mostra-avancos-timidos-do-brasil-na-area-do-saneamento/

sábado, 16 de abril de 2016

AMAZÔNIA/MEDICINA TRADICIONAL

Tribo amazônica cria enciclopédia de medicina tradicional com 500 páginas

Em uma das grandes tragédias da nossa era, tradições, histórias, culturas e conhecimentos indígenas estão desfalecendo em todo o mundo.  Línguas inteiras e mitologias estão desaparecendo e, em alguns casos, até mesmo grupos indígenas inteiros estão em processo de extinção.  Isto é o que chama a atenção para uma tribo na Amazônia – o povo Matsés do Brasil e do Peru –, que criou uma enciclopédia de 500 páginas para que sua medicina tradicional seja ainda mais notável.  A enciclopédia, compilada por cinco xamãs com a ajuda do grupo de conservação Acaté, detalha cada planta utilizada pelos Matsés como remédio para curar uma enorme variedade de doenças.

O xamã Matsés chamado Cesar. Foto: cortesia da Acaté
“A [Enciclopédia de Medicina Tradicional Matsés] marca a primeira vez que xamãs de uma tribo da Amazônia criaram uma transcrição total e completa de seu conhecimento medicinal, escrito em sua própria língua e com suas palavras”, disse Christopher Herndon, presidente e co-fundador da Acaté, em uma entrevista para o Mongabay (na íntegra abaixo).
Os Matsés imprimiram sua enciclopédia só em sua língua nativa para garantir que o conhecimento medicinal não seja roubado por empresas ou pesquisadores, como já aconteceu no passado. Em vez disso, a enciclopédia pretende ser um guia para a formação de jovens xamãs, para que eles possam obter o conhecimento dos xamãs que viveram antes deles.
“Um dos mais renomados e antigos curandeiros Matsés morreu antes de que seu conhecimento pudesse ser transmitido, então o momento era este. A Acaté e a liderança Matsés decidiram priorizar a enciclopédia antes de perder mais anciãos e seus conhecimentos ancestrais”, disse Herndon.
A Acaté também iniciou um programa para conectar os demais xamãs Matsés com jovens estudantes. Através deste programa de orientação, os indígenas esperam preservar seu modo de vida como o fizeram durante séculos.
“Com o conhecimento de plantas medicinais desaparecendo rapidamente entre a maioria dos grupos indígenas e ninguém para escrevê-los, os verdadeiros perdedores no final são tragicamente os próprios atores indígenas”, disse Herndon. “A metodologia desenvolvida pelos Matsés e pela Acaté pode ser um modelo para outras culturas indígenas protegerem seus conhecimentos ancestrais”.
UMA ENTREVISTA COM O MÉDICO CHRISTOPHER HERNDON

Chris Herndon (esquerda) e o xamã Arturo (direita), observam um rascunho da nova enciclopédia. Foto: Acaté
Mongabay: Por que a enciclopédia é importante?
Christopher Herndon: A enciclopédia marca a primeira vez que xamãs de uma tribo da Amazônia criaram uma transcrição total e completa de seu conhecimento medicinal, escrita em sua própria língua e com suas palavras.  Ao longo dos séculos, os povos da Amazônia têm repassado através da tradição oral uma riqueza acumulada de conhecimentos e técnicas de tratamento que são um produto de seus profundos laços espirituais e físicos com o mundo natural.  Os Matsés vivem em um dos ecossistemas de maior biodiversidade do planeta e têm dominado o conhecimento das propriedades curativas das suas plantas e animais.  No entanto, em um mundo em que a mudança cultural desestabiliza até mesmo as sociedades mais isoladas, este conhecimento está rapidamente desaparecendo.
É difícil pensar o quão rapidamente este conhecimento pode ser perdido após uma tribo fazer contato com o mundo exterior. Uma vez extinto, este conhecimento, juntamente com a auto-suficiência da tribo, nunca pode ser totalmente recuperado. Historicamente, o que seguiu logo da perda dos sistemas de saúde endêmicos em muitos grupos indígenas é a quase total dependência dos rudimentares e extremamente limitados serviços de saúde que estão disponíveis nestes locais remotos e de difícil acesso. Não surpreendentemente, na maioria dos países, os grupos indígenas têm as maiores taxas de mortalidade e doença.
Pela perspectiva dos Matsés, a iniciativa é importante porque a perda da cultura e o atendimento precário à saúde estão entre suas maiores preocupações. A pioneira metodologia para proteger e salvaguardar o seu próprio conhecimento pode servir como um modelo replicável para outras comunidades indígenas que enfrentam uma erosão cultural semelhante. Em termos mais amplos de conservação, sabemos que existe uma forte correlação entre os ecossistemas intactos e regiões habitadas por índios, o que torna o fortalecimento da cultura indígena uma das maneiras mais eficazes para proteger grandes áreas de floresta tropical.
Mongabay: Por que é agora o momento de se registrar esta informação?
Christopher Herndon: O conhecimento dos Matsés e a sabedoria acumulada através de gerações estava perto de desaparecer. Felizmente, restavam alguns poucos Matsés mais velhos, que ainda detinham o conhecimento ancestral, já que o contato com o mundo exterior só ocorreu na última metade do século. Os curandeiros eram adultos na época do contato inicial e já haviam dominado suas habilidades antes de que missionários e funcionários do governo lhes dissessem que elas não eram úteis. No momento em que o projeto começou, nenhum dos xamãs mais velhos tinha jovens Matsés interessados em aprender com eles.
Um dos mais renomados e antigos curandeiros Matsés morreu antes de seu conhecimento ser transmitido, então o momento era este. A Acaté e a liderança Matsés decidiram priorizar a enciclopédia antes de perder mais anciãos, com seus conhecimentos ancestrais. O projeto não tratava de salvar uma dança tradicional ou vestuário, mas da saúde deles e a das futuras gerações de Matsés. A aposta não podia ser maior.
Mongabay: Como é a enciclopédia?
Christopher Herndon: Após dois anos de intenso trabalho por parte dos Matsés, a Enciclopédia agora inclui capítulos escritos por cinco mestres curandeiros Matsés e tem mais de 500 páginas! Cada entrada é classificada pelo nome da doença, com uma explicação sobre como reconhecê-la pelos sintomas, a sua causa, quais plantas usar, como preparar o medicamento e opções terapêuticas alternativas. Uma fotografia feita pelos Matsés de cada planta acompanha cada entrada na enciclopédia.
A Enciclopédia é escrita para e desde uma visão de mundo do xamã Matsés, descrevendo como os animais da floresta estão envolvidos na história natural das plantas e conectados com as doenças. É uma verdadeira enciclopédia xamânica, totalmente escrita e editada por xamãs indígenas – a primeira, que conhecemos, de seu tipo e alcance.
Mongabay: Como você espera que esta enciclopédia possa ajudar os esforços de conservação?
Christopher Herndon: Acreditamos que empoderar os povos indígenas é a abordagem mais eficaz e duradoura para a conservação da floresta tropical. Não é por acaso que as extensões restantes intactas da floresta tropical na região neotropical estão sobrepostas às áreas habitadas por indígenas. Os povos tribais compreendem e valorizam a floresta porque são dependentes dela. Esta relação vai além de uma dependência utilitária; há uma ligação espiritual com a floresta, um senso de interconectividade que é difícil de se compreender por meio da mentalidade ocidental compartimentalizada – por mais que seja, no entanto, real.
Muitas das graves ameaças ambientais em áreas indígenas remotas de que você ouve falar no noticiário – petróleo, madeira, mineração e afins – são indústrias externas que oportunisticamente se aproveitam da enfraquecida coesão social interna dos povos indígenas de contato recente, de seus recursos limitados e da crescente dependência do mundo exterior. O tema unificador das três áreas programáticas da Acaté – economia sustentável, medicina tradicional, e agroecologia – é a autossuficiência. A Acaté não predetermina estas três prioridades de conservação; elas foram definidas em discussão com os anciãos Matsés que sabem que a melhor maneira de proteger sua cultura e terras é através de uma posição de força e independência.
Do ponto de vista de conservação global, os Matsés protegem mais de 3 milhões de acres [1,2 milhões de hectares] de floresta tropical só no Peru. Esta área inclui algumas das florestas mais intactas, biodiversas e ricas em carbono no país. As comunidades Matsés no lado brasileiro dos rios Javari e Yaquerana marcam as fronteiras ocidentais da reserva indígena do Vale do Javari, uma região quase do tamanho da Áustria, que contém o maior número de tribos ‘sem contato’, em isolamento voluntário, no mundo. Ao sul das margens do território Matsés, nas cabeceiras do rio Yaquerana, encontra-se La Sierra del Divisor, uma região de beleza natural impressionante, biodiversidade, e também grupos tribais isolados. Por estas razões, embora os Matsés somente cheguem a somar pouco mais de 3 mil pessoas no total, eles estão estrategicamente posicionados para proteger uma vasta área de floresta tropical e uma série de tribos isoladas. Empoderá-los é uma preservação de alto rendimento.
Mongabay: Você mencionou que a enciclopédia é apenas a primeira fase de uma iniciativa mais ampla da Acaté. Quais são os outros componentes necessários para manter os sistemas tradicionais de saúde deles?
Christopher Herndon: Completar a enciclopédia é um primeiro passo histórico e crítico para mitigar as ameaças existenciais para a sabedoria de cura e autossuficiência dos Matsés. No entanto, a enciclopédia sozinha não é suficiente para manter a autossuficiência, já que seus sistemas de saúde baseiam-se na experiência que só pode ser transmitida através de longos aprendizados. Infelizmente, devido a influências externas, quando começamos nosso projeto, nenhum dos xamãs tinha aprendizes. Ao mesmo tempo, a maioria dos povos ainda usa e depende do conhecimento de plantas medicinais dos curandeiros, muitos dos quais têm mais de 60 anos.
Na Fase II, o Programa de Aprendizes, cada xamã – muitos dos quais são autores de capítulos da Enciclopédia – será acompanhado na selva por Matsés mais jovens para conhecer as plantas e ajudar no tratamento de pacientes. O programa de aprendizado foi iniciado em 2014 na aldeia de Estirón sob a supervisão do xamã Luis Dunu Chiaid. Devido ao sucesso do projeto piloto em Estirón, os Matsés concordaram em unanimidade, em sua última reunião, que este programa deveria ser expandido para o maior número possível de aldeias, dando prioridade às que não têm mais curandeiros tradicionais.
O objetivo final da iniciativa é a Fase III – a integração e melhoria dos serviços de saúde do ‘ocidentais’ feita com práticas tradicionais. Wilmer, um promotor de saúde em uma pequena clínica em Estirón e um dos aprendizes do programa-piloto, serve de exemplo para outros Matsés que trabalham com saúde. Ele entende que o futuro da saúde do seu povo depende da criação de sistemas de saúde duais e vibrantes que permitam à comunidade aproveitar o melhor de ambos os mundos da medicina.
Além disso, foi decidido que o nosso trabalho agro-florestal deve ser expandido para incluir a integração com plantas medicinais. Este trabalho será baseado no bosque de cura criado por um dos principais xamãs curandeiros Matsés em Nuevo San Juan, agora mantido por seu filho, Antonio Jimenez. Para um estrangeiro, este bosque parece uma trecho comum de selva no caminho para as fazendas deles, a uns 10 ou 15 minutos de caminhada fora da comunidade. Na presença de um xamã conhecedor que indique quais são as plantas medicinais, você percebe na mesma hora que está cercado por uma constelação de plantas medicinais cultivadas pelos curandeiros Matsés para o tratamento de uma variada gama de doenças. Muitas vinhas e fungos da floresta não crescem em jardins expostos ao sol e requerem o ecossistema da floresta para a sua propagação. Colocar o bosque de plantas medicinais a 10 ou 15 minutos de distância da comunidade é um exemplo característico da eficiência do Matsés. Se você tem uma criança doente, não quer ter que viajar quatro horas para encontrar o remédio.

Aplicação de medicina tradicional dos Matsés. Foto: Acaté
Mongabay: A enciclopédia foi escrita apenas na língua dos Matsés como proteção contra a bioprospecção e o roubo do conhecimento indígena. O medo da biopirataria é uma preocupação real para os Matsés?
Christopher Herndon: Infelizmente, a história está cheia de exemplos de roubo dos povos indígenas. Para os Matsés em particular a preocupação é muito real. As secreções da pele da rã Kambo (Phyllomedusa bicolor) são utilizadas pelos Matsés em seus rituais de caça. As secreções, ricas em uma variedade de peptídeos [pequenas proteínas] bioativos, são administradas diretamente no organismo em cortes frescos ou queimaduras. Quase imediatamente, as toxinas induzem intensas e autonômicas respostas cardiovasculares que levam a um estado alterado de consciência e acuidade sensorial muito maior.
Embora a rã Kambo esteja presente ao longo do norte da Amazônia, apenas os Matsés e um número reduzido de tribos vizinhas Panoan são conhecidos por usar suas secreções poderosas.  Depois de se conhecer o uso das secreções pelo Matsés, pesquisas de laboratório sobre as secreções da rã Kambo revelaram um complexo coquetel de peptídeos com potentes propriedades vasoativas, narcóticas e antimicrobianas.  Várias empresas farmacêuticas e universidades registraram patentes dos peptídeos sem reconhecimento ou benefício aos povos indígenas.  Um destes peptídeos com atividade antifúngica foi até mesmo transgenicamente inserido em batatas.
O medo da biopirataria é, infelizmente, uma porta que se abre para ambos os lados. Muitos grupos ambientalistas e cientistas têm realizado projetos na Amazônia documentando o conhecimento indígena da fauna local, como nome de aves, mas mantiveram-se à margem em relação às plantas medicinais, por medo de serem acusados de facilitar a biopirataria. No entanto, com o rápido desaparecimento dos conhecimentos sobre as plantas medicinais entre a maioria dos grupos indígenas e não sem ninguém para registrá-lo, tragicamente os verdadeiros perdedores ao final são os índios, os verdadeiros geradores desse conhecimento. A metodologia desenvolvida pelo Matsés e a Acaté deve ser um modelo para outras culturas indígenas conservarem seus conhecimentos ancestrais.
Mongabay: Qual é a metodologia da Acaté e como ela protege esse conhecimento?
Christopher Herndon: A Acaté e os Matsés desenvolveram uma metodologia inovadora para evitar a extinção de seu conhecimento ancestral sobre as plantas medicinais e ao mesmo tempo proteger as informações contra o roubo por grupos externos. A enciclopédia está escrita somente em Matsé. É por e para os Matsés e não haverá traduções para outras línguas. Não foram incluídos nomes científicos nem fotografias de flores ou alguma outra característica que possa facilitar a identificação das plantas por um estrangeiro.
Cada capítulo da Enciclopédia de Medicina Tradicional foi escrito por um veterano xamã renomado escolhido pela comunidade. Para cada xamã veterano foi designado um Matsés mais jovem, que durante meses registrou em forma escrita o conhecimento xamã e fotografou cada planta. Os textos e as imagens foram compilados e escritos no computador de Wilmer Rodríguez López, um Matsés que é especialista na transcrição escrita de sua língua.
Na reunião, a Enciclopédia compilada – um rascunho de mais de 500 páginas – foi revisada e editada coletivamente pelos xamãs das tribos por vários dias. Toda a enciclopédia está sendo formatada e impressa pelos Matsés sob a sua direção exclusiva, e nunca será publicada ou divulgada fora de suas comunidades.
Esperamos que o incontroverso sucesso desta metodologia iniciada pela Acaté e por nossos parceiros índios abra a porta para esforços semelhantes em toda a Amazônia e além. Já estamos vendo os esforços de outras organizações para replicar a metodologia.
Mongabay: Obviamente, o foco é preservar a cultura e o conhecimento Matsés, mas o seu conhecimento médico poderia teoricamente ajudar as futuras gerações ao redor do mundo. Existem condições específicas para que os xamãs Matsés e a população possam compartilhar seus conhecimentos sobre as plantas medicinais na Amazônia? Ou a confiança está destruída?
Christopher Herndon: A Acaté não pode falar pelos Matsés. Posso dizer que trabalhando com xamãs índios na Amazônia, eu tenho notado que eles são muito abertos a compartilhar o seu conhecimento, quando nos aproximamos com respeito. Eles também têm uma grande curiosidade intelectual sobre outros métodos de cura, incluindo o nosso.
Alguns dos medicamentos desenvolvidos pela humanidade, como a quinina e aspirina, foram desenvolvidos através do conhecimento de curandeiros tradicionais.  Devido ao clima político e temores internacionais de biopirataria, mesmo para as empresas farmacêuticas que promovem a distribuição equitativa dos lucros, é um desafio participar de tais iniciativas.  A complexidade do conhecimento indígena de plantas medicinais é tal que não é possível avaliar plenamente a fitoquímica dentro do prazo em que o conhecimento está prestes a ser perdido.  A Enciclopédia, apesar de não ser desenhada para esse fim, mantém as opções abertas no futuro para os Matsés; um futuro que, em contraste com a maioria de seus precedentes históricos, será um de sua própria determinação.
Não devemos perder de vista que, até a criação da enciclopédia, o sistema tradicional de saúde Matsés estava prestes a desaparecer devido às influências do mundo exterior. Os Matsés vivem em áreas remotas onde a prestação de serviços de saúde é um desafio e limitada. As farmácias em muitas comunidades Matsés, particularmente as de mais longe, rio acima, são desprovidas dos medicamentos mais básicos, como remédios para tratar a malária, que veio de fora das comunidades. Os Matsés precisam pagar de seu bolso pelo medicamento que vem de fora, cujo preço é inalcançável para a maioria dos anciãos da comunidade que não têm nenhuma fonte de renda. O simples microscópio necessário para analisar o sangue e diagnosticar a malária estava quebrado em quase todas as comunidades que visitei. Em comparação, vivemos em um mundo que é abundante em cuidados de saúde. Se houver necessidade de dialogar, na minha opinião, isso deve começar com a resposta de como podemos apoiar os Matsés no presente, em vez de como eles podem nos ajudar no futuro.
Mongabay: Muita gente vê a medicina e a preservação da floresta como questões separadas. Como a saúde está ligada ao meio-ambiente?
Christopher Herndon: A saúde de um povo, sua cultura e meios-ambientes são indissociáveis. Não podemos pensar sobre as condições deprimentes de saúde e a situação socioeconômica no Haiti sem considerar o contexto de que 98% deste país que ocupa a metade de uma ilha foi devastado e, assim, o seu potencial futuro também foi destruído. A fronteira entre o Haiti e a República Dominicana pode ser claramente vista a partir de imagens de satélite como uma transição abrupta do marrom ao verde, como o resultado de diferentes formas de uso dos recursos naturais. Da mesma forma, as imagens da Etiópia que existem na consciência moderna baseiam se no fato de, que há apenas 100 anos, a Etiópia era um país com uma significativa cobertura florestal.
O futuro dos Matsés e a sua cultura estão eternamente ligados ao futuro de suas florestas. Ao proteger as florestas e reforçar sua cultura, a saúde deles é protegida contra um futuro carregado de diabetes, desnutrição, depressão e alcoolismo – a segunda onda de doenças ‘importadas’ que normalmente acontece em comunidades indígenas após algumas gerações depois do contato com o mundo exterior. Visto desta forma, iniciativas de conservação biocultural seriam extremamente rentáveis e podem ser abordagens preventivas de saúde.
Mongabay: Como a enciclopédia pode ajudar a preservar a cultura Matsés?
Christopher Herndon: Uma mudança radical começa muitas vezes com algo tão simples e tão poderoso como uma ideia.  A ideia de que a sua cultura, as suas tradições e seu estilo de vida não são inferiores ou algo para se envergonhar, como outros talvez já lhe tenham dito.  A ideia de que a selva, que você chamar de lar, tem um valor infinitamente maior do que reservas de petróleo ou de mogno para produzir mobiliário de luxo.  A ideia de que o seu conhecimento e familiaridade com a floresta não faz o torna primitivo ou atrasado, mas o coloca à frente do movimento global de conservação.  A enciclopédia é o primeiro passo concreto para a formação de uma ponte para vencer a lacuna cada vez maior entre gerações, antes que seja tarde demais.  A iniciativa da enciclopédia restaura o respeito pela sabedoria dos mais velhos e devolve a selva como um repositório de saúde e um lugar para aprender.
Mongabay: A enciclopédia foi completada e terminada em uma reunião de líderes Matsés vindos de todo seu território e antigos xamãs das tribos. Como foi o clima naquela reunião?
Christopher Herndon: Esta reunião sem precedentes foi realizada em uma das aldeias mais remotas do território Matsés. É extremamente difícil descrever em palavras a emoção sentida por todos os participantes quando os líderes Matsés mais antigos falaram de batalhas que eles lutaram – literalmente – para defender o território Matsés e seu modo de vida. Muitos deles tiveram de conter as lágrimas enquanto um ancião após o outro convidava os jovens a aproveitar esta oportunidade para preencher a lacuna que será deixada por eles quando morrerem, assim como eles fizeram quando seus avós estavam vivos. Eu trabalho na conservação biocultural na Amazônia há 15 anos, mas esta foi uma das mais inspiradoras experiências, para se ouvir o poder da oratória deles e determinação em suas vozes. É facilmente perceptível que os Matsés são guerreiros de coração, que lutaram por um longo tempo para proteger suas terras e que eles continuarão lutando.
Texto originalmente publicado por Jeremy Hance no Mongabay
Esta entrevista foi traduzida do original em inglês por Giovanny Vera e Laura Kurtzberg e revisada por Stefano Wrobleski, do InfoAmazonia.
Fonte: InfoAmazonia


http://amazonia.org.br/2015/07/tribo-amaz%C3%B4nica-cria-enciclop%C3%A9dia-de-medicina-tradicional-com-500-p%C3%A1ginas/

quinta-feira, 14 de abril de 2016

BIODIVERSIDADE








A região do Rio Tapajós está em risco! O governo quer construir uma barragem que comprometerá a toda a biodiversidade do local. Assine e ajude a salvar os animais da extinção: http://bit.ly/1Ssxor6

https://www.GreenpeaceBrasil/photos/a.174182977542.122535.159103797542/10153495503882543/?type=3&theater


quarta-feira, 13 de abril de 2016

SINAIS DE DEFICIÊNCIA DE NUTRIENTES



Exitem os macro (N,P,K) e micronutrientes (os demais) que são igualmente importantes no fisiologismo e nutrição das plantas.


segunda-feira, 11 de abril de 2016

ALERTA



Dengue e zika: ABES alerta sobre a importância do saneamento básico no combate às doenças




Banner Campanha Contra o Zika Vírus_Modelo 1_minúscula

Problemas de infraestrutura, como abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de resíduos sólidos, são ainda aspectos que favorecem a proliferação de doenças e do mosquito Aedes aegypti nas cidades.
Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES vem a público manifestar-se: só ganharemos a guerra contra o mosquito Aedes aegypti com saneamento básico.
A iniciativa da ABES busca concentrar esforços para conscientizar a sociedade de todo o Brasil de que somente por meio do saneamento básico mudaremos o cenário epidemiológico de expansão de doenças cujos agentes são transmitidos pela falta de saneamento , exemplo o mosquito Aedes aegypti, como zika e chikungunya, além da já conhecida dengue. O estado de alerta em que se encontra o país demonstra que persiste a necessidade de investimentos em saneamento básico para as cidades brasileiras.
Em 2001, políticas públicas surgiram através de uma orientação da Organização Mundial da Saúde para a erradicação do Aedes aegypti. No entanto, esta opção não se tornou viável ao longo do tempo. Atualmente, a orientação nacional é para o controle do mosquito vetor. “Enquanto o poder público busca soluções para as demandas isoladas, o mosquito vai sobrevivendo. Sua característica biológica, que permite que os ovos permaneçam em ambiente seco por mais de 500 dias, permite a sua viabilidade após muitos meses, o que faz com ele possa ser transportado por via terrestre ou marítima ampliando sua distribuição geográfica”, afirma Dante Ragazzi Pauli, presidente nacional da ABES.
No abastecimento de água, o pior problema para o combate à dengue é o abastecimento irregular, como falta ou intermitência de água, porque leva a população a usar caixas d’água, potes e barris. E, sem tampas ou mal tampados, esses reservatórios são ideais para o mosquito Aedes aegypti procriar devido à água parada, limpa e em pouca quantidade. O mosquito só deposita seus ovos em recipientes de água potável e não potável, mas com pouco material em decomposição, por isso que esgotos também devem ser considerados.
Nos resíduos sólidos, o problema está na coleta irregular de resíduos, no acúmulo de resíduos como garrafas plásticas, embalagens, pneus e outros recipientes, nos quais a água da chuva se acumula. Isso ocorre tanto em imóveis como nas ruas e áreas de depósitos de lixo irregulares.
“Não há sustentabilidade financeira e ambiental para que servidores da saúde, o exército ou outros agentes estejam a cada dez dias visitando todas as casas no país para removerem focos do mosquito”, ressalta o presidente da ABES.
Ele explica que o controle com inseticidas é realizado apenas pelos órgãos de Vigilância em Saúde nos municípios, de acordo com orientações do Ministério da Saúde, quando houver casos confirmados de doentes. Isso porque o inseticida atua apenas na forma adulta do mosquito, e não é eficiente para ovos e pupas (fase intermediária entre a larva e vida adulta). Porém, muitas pessoas acreditam que a aplicação dos produtos é a solução do problema, o que tem levado ao seu uso indevido e a contaminação ambiental.
Além disso, o uso indiscriminado de larvicidas pelos agentes de saúde reforçam, na população, o sentimento de que apenas o uso de produto químico pode resolver o problema. “Esta concepção errônea reduz o comprometimento necessário pelo cuidado constante de prevenção nas casas pelo morador e dificulta a redução da infestação do mosquito”.
Dante pontua que as ações de controle do mosquito envolvem tanto as políticas públicas de saúde como de saneamento, mas elas ainda não se conversam, quanto a ação individual e comunitária. “Promover o saneamento é a melhor campanha sanitária contra essas doenças”, finaliza.
A campanha Mais Saneamento, menos zika foi lançada pela ABES dia 3 de março, com uma roda de conversa na ABES-SP (veja aqui)